Reading Mind 📖🧠

[PT-BR] Sobre a mentira, de Santo Agostinho.

Não vou mentir (risos) que essa foi uma leitura cansada a tal ponto que eu não consegui nem finalizar o livro. Eu decidi largar ele por enquanto aproximadamente na página 40. Eu tinha uma noção do que esperar ao ler esse livro, mas não sabia que seria tão desconfortável.

Não porque é duro escutar a verdade, praticar a verdade ou saber mais sobre a verdade, e sim porque os exemplos de casos onde e por que a mentira não deve ser aplicada são mais do que bizarros?

Vou colocar alguns trechos do livro aqui:

[…] Ninguém duvida de que a alma seja melhor que o copo, e que sua integridade deve ser preferida à do corpo, j[a que pode ser preservada para sempre. Entretanto, quem poderia declarar que a alma do mentiroso é íntegra?

[…] Uma violência indesejada, sofrida pelo corpo, deve ser chamada de vexame, mas não de corrupção. […] Portanto, em uma situação em que apenas a corrupção voluntária é possível, a castidade pode ser preservada. Por conseguinte, se um violador invadisse um corpo, e isso não pudesse ser evitado, seja por força contrária, seja por deliberação ou mentira, certamente é necessário que digamos que a castidade não pôde ser violada pela luxuria alheia.

[…] a mentira se colocar como algo ainda pior, porque destróis é mais grade que odeias. Porque talvez Deus odeie alguém em grau menor, a ponto de não o destruir. Mas a quem ele destrói, tanto puniu mais severamente quanto odiou com mais veemência. De fato, ele odeia todos que praticam a iniquidade, mas destrói todos os que mentem.

Eu sei, eu sei. É um livro escrito por um filósofo e teólogo, majoritariamente católico e cristão, o que explica o uso extensivo e defensivo da doutrina. A ideia de que a crença é maior do que questões comuns, pois a alma deve sempre prevalecer as vontades e desejos da carne (corpo) fica extremamente evidente no texto por causa disso. Mas não consigo tirar da cabeça o desconforto dessa leitura. Não minta para trazer conforto a um próximo, pois ao mentir, você não só corrompe a sua alma, como também corrompe a do seu próximo, removendo ele do seu maior bem: a vida eterna;


Fica um ensinamento para mim mesmo: excluir leituras religiosas da lista de livros. Tudo bem, sou curioso por natureza, mas não faz sentido me arrastar em uma leitura a qual não acho agradável ou não concordo. Mas para não concordar eu preciso saber, então fica ai o dilema.

De toda forma, não mintam. Não pela sua alma, mas apenas porque não é certo mentir. Não é divertido e nem engraçado. Não é agradável. Não é fácil. Não é justo e nem é digno.